João e Teresa viviam maritalmente havia quatro meses.
João era professor e Teresa estudante do secundário.
Todas as noites, Teresa via telenovelas. E de dia
conversava com as amigas sobre infidelidades e magoas nos relacionamentos,
entre outros acontecimentos infaustos.
Um dia a Teresa assistiu a uma telenovela em que um
dos personagens era professor. Num dos capítulos da telenovela o professor se
apaixonou por uma das alunas. Mais tarde, na cena, o professor e a aluna
passaram a ter relações amorosas em oculto, embora o professor fosse casado.
A Teresa encarnou a cena da telenovela, demovendo-a
para a sua vida conjugal associando, também, as conversas que sempre tinha com
suas amigas. Consequentemente passou a ter um pensamento distorcido sobre João,
seu esposo. Imaginava cenas que talvez o seu cônjuge nunca tivesse pensado em
fazer.
Com base em seus próprios raciocínios, concluía que o
seu esposo se apaixonara por uma de suas alunas. Assim, se deprimia e
injustificadamente sofria.
Certa vez o esposo se atrasava a chegar a casa. Teresa
ligou para o telemóvel do esposo:
Trin, trin, trin, trin! O telefone chamou muito, porém
ele não atendia.
Ela ficou prenhe de vil ciúme, pensando que o esposo a
estivesse traindo. Não parou para pensar se algo ruim tivesse acontecido com o
esposo, ou se estivesse reunido com os colegas.
Quando o esposo chegou a casa, a Teresa, toda brava,
começou a disparar ofensas contra esposo:
-Só agora? Com quem estavas?
-Como assim com quem estava? Não
sabes que fui trabalhar –
respondeu o João.
-Ai é, desde
quando é que foi alterado o horário?- Perguntou-lhe novamente.
-Certo. Mas
acontece que estivemos reunidos com o director para acertarmos o calendário das
provas- respondeu o esposo.
Essa é a mentira que planificaste
para me acalmares? Não sou e nunca fui burra – furiosa, disse ela.
Repare que nem com as explicações de João a Teresa
conseguiu aplacar-se. E isto porque ela despiu-se da sua essência, o seu
verdadeiro ser, e passou a ser o que ouviu algures e o que via nas telenovelas.
Já não era ela mesma, porém a vítima das telenovelas sacrificando, desse modo,
João que nem sequer tinha culpa da sua ignorância.
E como João era mais autêntico que ela e sabia de
certa forma, dos problemas da esposa, relutava em prosseguir com as discussões.
Mas episódios do gênero se repetiam amiúde, a Teresa atiçava briga sempre que o
esposo chegasse um pouquinho atrasado, ou quando tivesse “apetite” de
agredi-lo.
E depois de brigas prolongadas os dois acabaram por se
desentender e o relacionamento se deteriorou, embora tivessem uma filha. No
momento em que escrevo esta página, João e Teresa procuram salvar o seu lar, no
entanto com bastantes complicações.
Muitos dos que se casam ou que se enamoram são muito
apegados a medias, ou seja, transformam as suas relações naquilo que vêm na tv.
Dispensam o tempo e a paciência de parar um pouco e
pensar no que vêm na tv e não conseguem perceber que o que se encena nem sempre
tem congruidade com a vida real.
Com isso, alguns jovens e não só, acham que devem
levar a mesma vida daquela que se vê em filmes e novelas como trair o parceiro,
conquistar a namorada/esposa do amigo.
No entanto, devemos lembrar a prior que, embora haja
pequenas convergências, o que se representa em filmes e novelas, é diferente da
vida real. E muitas dessas cenas visam mais a obtenção de lucro para os bolsos
dos realizados e actores, que nos dar boa educação. Dessa feita não seria
correcto praticarmos tudo o que vemos na TV.
Apesar de nas novelas serem representados alguns
aspectos positivos, o mais inusitado é que muitos dificilmente conseguem imitar
o lado positivo daquilo que vêm na TV ou internet. Muitos preferem imitar as
traições, a fidelidade; preferem o ódio ao amor… preferem o lado perverso ao
lado socialmente útil.
Quanto às traições, alguns não partem imediatamente
para a tal prática. Primordialmente criam um espiral utópico e tóxico que,
depois de vários e prolongados contactos com tais cenas, deixam de ser o que
realmente são para, portanto, serem programados pela TV, ou internet. Não
conseguem contralar os seus sentimentos, muito menos os seus pensamentos.
Com o tempo passarão a achar que se na novela ou filme
Y certa personagem traiu o seu cônjuge, também é normal que traiam. Podem assim
pensar:
o meu cônjuge está a trair-me. A
personagem da novela/filme, ao trair o seu parceiro se comportou do jeito
semelhante ao do meu cônjuge, logo não resta dúvida que estou sendo traído/a
também.
Portanto, pensamentos como esses vão sendo ruminados
pelas vítimas da mídia que depois começam a orquestrar reacções que por vezes
chegam a se repercutir em amarguras, feridas sentimentais, contrição e outros
desconfortos. E isto baixará a confiança de uma parte para com a outra
azedando, assim, a relação e opondo as partes.
No
entanto cabe lembrar que mesmo se tenha a evidência de que você é traído pelo
seu cônjuge, não seria lógico que fizesse o mesmo, pois poderá acarretar mais
problemas e agravar mais a situação; e não se deve esquecer que essas atitudes
têm tido consequências que nem sempre são reversíveis.
Igualmente, não se queira dizer que a vida encenada nos filme ou novelas
ou mesmo as histórias que se ouvem de outras pessoas se reflictam
necessariamente em nossas vidas.
Amar é confiar
Deveras
quando se diz maldito é o homem que confia noutro homem se quer dizer - pelo
que parece ser - que, além de confiar-se em Deus, também se deve confiar em si
para que se ganhe a confiança dos outros. Pois não seria lógico esperar que o
seu próximo o confie sem que você, além de confiar em Deus, confie também em
si.
Se bem o caro ledor se lembre, Deus confiou em certos
homens da História Bíblica para certas funções. Foi o que aconteceu quando
delegou Moisés para servir de intermediário na libertação do povo de Israel do
Egipto, bem como a confiança que teve para com Abraão e outros. Mas esses
homens demonstraram, antes de tudo, confiança em Deus e em si, pelo que não se
deixavam levar pelas concupiscências do mundo.
Foram homens muito fortes e autênticos que demonstraram fé em Deus e,
portanto, poderiam resistir contra qualquer aliciamento pecaminoso.
Por outro lado, Jesus Cristo também fez o mesmo ao
escolher doze homens aos quais ensinou a sua doutrina a fim de que, depois de
ele ter regressado aos céus, dessem a continuidade do seu evangelho.
Portanto se não houvesse confiança de Deus para com os
homens que acabamos de descrever agora, bem como de Jesus para com os seus
discípulos, teríamos todos os motivos de não confiarmos em ninguém ao pé da
letra.
Se assim fosse, a sociedade humana pereceria há muito
tempo, e nem haveria história para ser contada.
Pois se estamos onde estamos, é porque, além das
confianças de Deus e Jesus para com os homens descritos, houve certa confiança
entre certos homens e esta mesma confiança é que garantiu- e continua a
garantir- o progresso social e a continuidade da sociedade humana.
Sem a confiança entre os homens não existiria família
nem religiões, ciências nem tecnologia. Não haveria educação ou qualquer
instituição, nem tão-pouco estado, porque os homens não se juntariam para
formarem sociedade. A família pereceria, porquanto nem os pais confiariam no
filho, nem o filho nos pais, logo o mundo seria um verdadeiro caos.
Enfatizemos que essa confiança deve consubstanciar-se
no amor. O amor verdadeiro, sem fingimento, nem medo, enfim, o amor que permita
confiar para amar e amar para confiar.
Só
o amor nos vincula, reúne, integra, identifica e prende a todos os seres na
Terra pelo mais fundo de nós mesmos através de uma ‘vibração fundamental’ que
nos impele inexoravelmente para a Unidade, “no Sentido do Universo, Sentido do
Todo: diante da Natureza, perante a Beleza, na Música, a nostalgia se apossa de
nós — a expectação e o sentimento de uma grande Presença” (CHARDIN, 1986, p. 301 9887).
Para
corroborarmos a relevância que tem o amor leiamos o que o apóstolo Paulo
escreveu aos Coríntios:
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; não trata com
leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se
irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas com a verdade;
…o amor
nunca falha.
Portanto pode-se
confiar no outro homem desde que haja amor e uma autoconfiança em nós próprios
e para que estes se reflictam nos outros. E no caso dos casados ou namorados,
ou mesmo para qualquer relação em que se queira que outros nos confiem e nos
sejam fiéis, devamos a prior cultivar estas qualidades em nós, até porque é
bíblico: aquilo que quiserdes que os
homens vos façam faz-lhos vos primeiros.
Para que isto
seja possível Deus deve estar acima de tudo e ser a máxima prioridade de nossas
vidas.
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